terça-feira, 13 de outubro de 2009

As serras e o mar

As serras. Ahh, as serras!!!. Nasci longe do mar, mas logo fui levado para suas proximidades. Sem entender, em pequena idade, já sentia seu aroma. A infinitude do seu horizonte é um cenário de mistério e fascinação. Entretanto, com todo o carinho e amor que tenho pelo mar, suas praias e aromas, também me exerceram uma fascinação as serras. Elas não impõem o mistério dos horizontes sem fim dos mares. Mas, as serras, se não exibem sua toda grandeza e tamanho, ocultam em verdejantes mistérios o que há por trás de suas montanhas.
Neste contraste, flutuo embriagado em vales e montanhas, na esperança de, no alto de seus picos, vislumbrar o azul do oceano presenteando-nos e revelando a intimidade entre estes divinos atores da natureza.

Abaixo, uma deslumbrante imagem da Serra da Mantiqueira, tão bela e acolhedora.


Mirante Belvedere na Serra de Campos do Jordão in Campos do Jordão
Bela estrada no interior da Califórnia. Um bucolismo que nos faz sentir mais em paz.


Exibir mapa ampliado

domingo, 11 de outubro de 2009

Meu parque preferido !

Olá pessoal ! Ando um pouco sem tempo para fazer postagens, mas mostro aqui uma foto em 360 graus do meu parque predileto. Espero que gostem.
Abraços a todos.

http://www.360cities.net/image/parque-do-ibirapuera-in-sao-paulo-brazil

sábado, 29 de agosto de 2009

Arco-íris



Sempre apreciei um arco-íris.Lendas dizem que eles podem nos conduzir a um pote de ouro ao seu final. Cientificamente são explicados pela refração da luz solar em gotículas de chuva, abrindo-se neste processo todo o prisma solar arcado com suas inúmeras facetas coloridas.As cores de um arco-íris são contadas em 7 diferentes tipos básicos.Pelo esmaecimento de suas tonalidades, tornando-as menos vivas, constata-se que a diversidade de tons, em ofuscante efeito dégradé, elimina qualquer gradação de cores em números exatos, convergindo a uma infinita e maravilhosa variante luminosa. A ciência esclarece que a luz tem a cor branca e no instante em que aquela entra em contato com partículas ou gotas de água, despe-se de sua homogênea cor,  mostrando sua diversidade de matizes. Da veste monotom, verte a nudez pluralista de sua essência natural.
A natureza pluraliza suas obras em cenários da mais diversa criatividade.Combinações de luzes e cores enchem nossos olhos em espetáculos gratuitos, que contemplamos com os olhares entorpecidos pela capacidade de criação de seus elementos.Tem-se que na natureza a diversidade é a regra.O homem, elemento humano, integrado e cria desta mesma força, não pode ser exceção, porquanto são diversos em um modo ainda mais complexo. Entre os demais elementos, a regra é o instinto da preservação.Na natureza humana, a regra de sua preservação sofre distorções.O homem tem a faculdade de fugir à regra da autopreservação, excluindo-se  do cenário da vida através de seus próprios atos.Há diversidade de raças, crenças, culturas,  entre tantas outras combinações de matizes humanas inimagináveis.Sofremos adjetivações a todo momento.Somos adjetivados pelo que pensamos, falamos, transmitimos através de atos e comportamentos.Nossas matizes são tão diversas, como diversas são aquelas do arco-íris.
Já que falamos de cores, gostaria  de ressaltar um aspecto delas nos pavilhões. A cor vermelha nos estandartes - majoritariamente nos países europeus e americanos -  sempre esteve conectada a dois aspectos: deus marte, o deus da guerra; outrossim, evoca-se, em contexto símile, o sangue, produto jorrado nas guerras e nos combates.O vermelho, definitvamente, não se conectava às nações pacíficas. A bandeira brasileira, além de algumas outras poucas, está entre  raras que não contém tal cor, mesmo que em pequena porção. Alguns pensariam: "Somos uma nação pacífica. Pacífica até demais!" Vejo que integramos uma nação que viveu história de lutas - quando  inevitáveis os conflitos - , mas que sempre teve alma pacifista.Nossa bandeira espelha, pelas suas cores, esta alma.
Acredito que o amigo leitor deve ter notado a pequena figura logo acima. Em curtas linhas, trata-se do mapa do brasil com suas divisas estaduais, preenchidas, em seu respectivo campo, pelo desenho e cores das bandeiras de cada estado. Os seres humanos são diversos e  diversas também são nossas bandeiras estaduais. Olhando mencionada figura, vislumbra-se um mosaico de cores e linhas.Cada uma delas iconifica  elementos culturais e históricos de uma  Unidade Federativa. Num país, cujo território dilata-se por milhares de quilômetros de norte a sul e de leste a oeste, os climas e a geografia natural variam extraordinariamente. O homem introduzido na natureza recebe estes impactos pelas suas forças e fixa-se de modo tão variável, quanto variável  seja seu habitat.
A luz branca, plena em sua uniformidade, sob circunstâncias naturais, reflete sua essência democrática através de divergências cromáticas, passando a compor um orquestrado caleidoscópio em  plena disciplina simétrica, simetria vista no mesmo caleidoscópio dos pavilhões estaduais. A diversidade na igualdade  reflete o lema do arco-íris, também representado pelo multifacetado leque de bandeiras estaduais no  mapa brasileiro.
Brasil: uma nação multirracial detentora de uma variedade de culturas e estilos. Centraliza-se por seu idioma unificado e por elementos culturais comuns, alinhavados em seu processo histórico tão recente..Tamanha unidade territorial fragmenta-se em nuances multiculturais, as quais depõem um centro gravitacional questonável por outras nações, que se abismam ao tentar  decifrar  nosso código social. Não estou falando de "shangri-lá", o paraíso perdido. Este estará oculto pelo resto dos tempos. Também, não se está a falar do  paraíso da criação, visto que somos e estamos entre humanos. Para tantos brasileiros o Brasil tem tudo para tornar-se um paraíso; para outros, está-se a um passo do caos.O que pode explicar este paradoxo é o próprio contrassenso, por existirem, ao mesmo tempo, em espaços relativamente próximos, ambas acepções.
A luz branca do arco-iris reflete paradoxalmente a diversidade cromática.O Brasil há muito tempo, sem que conscientemente nos apercebamos, e ao seu modo, reflete através das cores de seu pavilhão a multicromação dos pavilhões de suas unidades estaduais. Isto vale dizer que o Brasil só será visto verdadeiramente em sua essência pelos brasileiros, momento em que nos apercebamos da essência humana e geográfica desta Pátria. Pois, em um país onde árabes e judeus dão-se as mãos no meio de asiáticos, europeus, negros e índios, temos que este hamônico caleidoscópio já vive em nosso meio,  indicando o final de nosso árco-íris histórico, onde se encontra o pote de ouro de nossa "shangri-lá" tupiniquim..Este país já possui este pote. Ocorre que  ainda não o encontramos , por não estarmos olhando para a verdadeira face do  arco cromático que o aponta..Por trás de lendas,  há o homem que as cria. A utopia brasileira continuará sendo somente a lenda do pote de ouro, inalcançável para nossa brasilidade tão sofrida. Enquanto isto, aqueles que aqui aportam, oriundos de  tantos lugares do globo, imaginam ter chegado, talvez, além do arco-íris. Como dito acima: não estamos olhando para a face de nosso arco-íris,  composto, essencialmente, por todos nós brasileiros.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Crise política?

Há longas décadas sofre o Brasil com crises políticas. Atualmente, a crise em foco encontra-se nos acalorados debates no senado entre a coligação situacionista e partidos de oposição no que diz respeito a permanência do presidente daquela casa.
Encaremos: argui-se pela ala oposicionisa daquela casa a existência de quebra de decoro parlamentar pelo Sr. Presidente do Senado desta República.O quarto poder midiático arrebanha denúncias de contratações irregulares através de inúmeros "atos secretos", insuflando  os oposicinistas  a bradarem sua revolta. As aspas inseridas perguntam, se estes atos secretos teriam sido elaborados de maneira tão secreta.
Não quero me posicionar politicamente em prol de qualquer facção ou ideologia partidária.Antes, alertar sobre certas táticas por detrás do palco, invisíveis para muitos.Indago, entretanto, se esta crise é realmente ética ou tem seu núcleo em uma mera guerra política alinhavada por forças contrárias numa medição de poder pelo início da corrida à rampa do planalto.Por seu lado, não oficialmente, o PT tem seu candidato(a). Este(a) encontra-se, pelo momento,  não muito bem ranqueado(a).A oposição, pelo mesmo ângulo  não-oficial, já prenuncia seu candidato, que vem ganhando admiradores entre algumas "tuitadas".No entanto, prefiro "piadas" - aportguesamento de twitter - ao neologismo anglófono "tuitar".
Tem-se historicamente que a política é a arte da desfaçatez mascarada pela  pretensa arte da sensatez.
Entre  uma crise e outra, as forças no poder alternam-se numa cadeira ou em uma bancada.Suas estruturas permanecem intactas, não obstante denúncias, renúncias e impropérios proferidos no mais respeitoso tratamento de "Vossa Excelência".
Berram, ofendem-se, martirizam-se pela causa ética ou pelo comprometimento partidário, enquanto o relógio da vida, a ampulheta do tempo, de forma verdadeiramente "irrevogável", flui em sua marcha impiedosa, deixando rastro de frustrações em milhões, conduzindo a estima de um país para um degrau abaixo a cada novo ato -  secreto ou não - elaborado neste palco  - hoje, também um set de filmagem pleno de  câmeras e microfones .Os bastidores da peça, neste autêntico cabo- de-guerra, restam silenciosos em segundo plano.
Nos minutos que antecedem uma partida de futebol, os jogadores cumprimentam-se. Após o início da peleja, guerreiam na frente do público, mostrando a cor do pavilhão que briosamente defendem. Do lado de fora, todos os contendores voltam a ser colegas, momento em que a natural arte da política humana desponta-se em seus comportamentos. Cumprimentam-se, dão-se as mãos, podendo estar amanhã a jogar no mesmo time se a situação lhes for favorável.
O cerne destas linhas é a desmistificação  da máscara que veste a crise que , sem ignorar o cenário de confronto montado por dois polos aparentemente concorrentes, mostra-se-se improdutiva, exaure ânimos socias, desgastando, sobretudo, a já tão arranhada imagem política e nacional através de um grande jogo enfadonho. Se a coligação oposicionista PSDB - DEM embate-se contra a situacionista PT - PMDB, estes duetos poderão estar alterados, quiçá formar um trio. Por que não, um sonolento quarteto?.Sem mencionar a eventual presença de novos membros articuladores de menor força no embate. O jogo político alinha-se com pesquisas e necessidades que despontam no novo cenário.
Felizmente, ainda remanescem personagens inflexíveis à desordem ética, obrigados a desviar o bom foco legislativo  de seus propósitos maiores, para compulsoriamente tomarem parte no  mis-en-scène da crise.
O cenário de crises engata a marcha-ré na produtividade legislativa, inserindo este País em compasso de espera das reformas que clamam urgência há longo tempo.Estancada a crise, com ou sem a reforma nos assentos de comando das casas legislativas, não se contabilizará o tempo perdido.Também não são contabilizados  os prejuízos morais no espírito de cada um de nós, que  sentimos um pouco mais combalidos e desacreditados. A  autoestima fragmenta-se, carcumida pela chaga aberta em nosso âmago, fazendo-nos sentir sem um norte  a indicar o futuro promissor.
Cedo ou tarde, os assentos serão substituídos por novas figuras políticas.Tais -  novatos ou veteranos- poderão ter o condão de gerar nova crise ou preveni-las. Futuro dirá. Enquanto crises políticas continuarem na batuta da sinfonia dos trabalhos de nossos legisladores e administradores, despreocupados com os reclames da nação, veremos que a plena cidadania almejada continuará a ser expectativa humana.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Modelo brasileiro

Confesso que sou aficionado por internet e por todas demais regalias e prazeres da vida sedentarizada que despendemos rotineiramente durante horas diante destas telinhas. Os profissionais liberais de hoje e de ontem - advogados, contabilistas, engenheiros, tradutores - tiveram suas rotinas fortemente redesenhadas por este  monstrinho cibernético.
O computador invadiu nossas vidas sem a mínima permissão. Foram adentrando nelas como aqueles cunhados dos filmes de Felini, os quais se apossavam do sofá e da televisão.Eles invadiram, mas  não sem nos prestar algum auxílio. Auxiliaram-nos tanto que acabamos por nos tornar seus "escravos".São necessários  para nos abrir a porta do mundo da informação, dos negócios, do lazer e  das comunicações. Confesso que hoje minha lista de amigos virtuais supera em boa margem a lista daqueles que estão aqui fora.Esta tendência espraia-se pela sociedade em grande velocidade. A informação é instantânea, como instantâneo também os são as opiniões que transitam pela rede a cada instante sobre cada uma delas.
O nível de democratização da web nos faz sentir cidadãos do mundo. De um mundo em que as barreiras só existem diante dos idiomas, que não compreendemos. Sua força democrática consegue, até mesmo, ultrapassar barreiras inseridas por países totalitários.O mundo da informação está globalizado e o Brasil está cumprindo um importante papel neste modelo.Os brasileiros estão entre aqueles que mais horas passam navegando na internet. Somos um dos maiores consumidores de celulares. Nosso lixo tecnológico ascende a patamares nunca vistos, pois o período de troca de equipamentos encurta-se a cada ano.Conseguimos desenvolver um sistema  de televisão digital com a nossa cara, apesar de ainda estar sendo lentamente inserido no mercado. Estamos desenvolvendo núcleos tecnológicos de T.I. em diversos pontos do território. Ilhéus, Recife e Campinas são só alguns exemplos.
Apesar de avanços e de um consumo tecnológico expressivo, carecemos de um modelo de web ajustado a nossos gostos. A massificação estrangeira através de suas mega-empresas - citem-se microsoft , google, yahoo - deixa-nos (assim como grande parte dos demais países) vulneráveis.Planeja-se uma web 3, na qual a navegação de dados pelo "desktop" será substituída por um sistema de navegação "nas nuvens".Imagine você, leitor, que tem o seu negócio dependente de dados armazenados em um dos servidores de uma destas empresas de tal porte. A insegurança  que qualquer instabilidade poderá promover. Para o grande sistema corporativo, há tecnologias de servidores instaladas pelo território. Ficariam dependentes milhões de usuários domésticos, além de micro e pequenos empresários.
Estamos na era da informação.Este é o bem de maior preço no mercado. Qual seria a segurança de grande parte de uma nação, ciente que seus dados pessoais estão em "brancas nuvens",  que, a qualquer tempestade, poderão torna-se água de chuva. Neste caso, a quem o cidadão recorreria? Nossa Justiça encontra-se lenta e tecnologicamente desaparelhada.Nosso sistema processual impregnado de recursos, dando vazão a inúmeras vias de escape procrastinatórias. Uma demanda internacional poderia acarretar um custeio de milhares de dólares. O prejuízo persistiria e nós todos aqui embaixo, de mãos amarradas, ficaríamos aguardando um desfecho que transbordaria a fronteira de nossa cidadania.
Devemos repensar o que queremos para criar  este novo salto da era da informação.Se o mundo está globalizado  pelo acesso e livre trânsito de informações, mercadorias e capitais, por seu turno, a cidadania que adquirimos quando nascemos não se encontra vinculada a este conceito global. Urgem  nossos governantes e empresários dos diversos setores de T.I. analisarem a questão mais aprofundadamente, a fim de se viabilizar um modelo tecnológico de suporte, visando a maximização de nosso sistema de segurança de informação.
Se nosso olhar para as nuvens nos inspira os céus da imaginação, neste compasso, olhar para o que está na terra nos garantirá um futuro em que poderemos evitar grandes quedas. Se Santos Dumont nos colocou nas nuvens, a nossa Embraer voa alto por elas, poderemos estar tranquilamente por lá, seguros que estaremos voando com nossas próprias asas, sem termos que alugá-las.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Futebol, seleção brasileira, bandeiras e regionalismos.

Sempre fui fã  de futebol. Independente de  qualquer faccionismo esportivo, admiro esta arte desde que era menino em Ribeirão Preto Lembro-me dos botões dos principais times de futebol que ganhava do meu pai, estampando a face e o nome dos jogadores de então. Como todo bom filho, segui a tendência de torcer para o mesmo time de meu pai.Fazia clássicos, jogando comigo mesmo ou com amigos, vivenciando os meus botões como personagens que desfilavam pelos campo desenhado milimetricamente com tinta branca nos azulejos vermelhos do quintal dos fundos da casa.
Tinha meu time do coração, mas não me importava em jogar com os demais clubes. O que realmente importava  era sentir que a conjunção de todos aqueles clubes representava  um todo indivisível. Era o universo do futebol que tanto eu amava e que se desfraldava perante os meus olhos de menino através de todos aqueles  botões tão amados. Ainda hoje, guardo em boa memória seus nomes, os quais as novas gerações não  conheceram. 
Pelos idos de 1974, vem a memória  minha primeira copa do mundo em que eu, ciente do universo a minha volta, e como bom brasileiro, senti o desejo e a inabalável vontade de torcer pela nossa seleção, amalgamada com todos aqueles clubes que conhecia.Não ganhamos a copa. Entretanto já sentia  que começava a ganhar um novo sentimento: o gosto pela seleção e , de certo modo, pelo que ela ali representava.
Infelizmente, como é cediço, nós brasileiros desfradalmos nossa bandeira uma vez a cada  quatro anos durante as copas do mundo de futebol.Nestas épocas, tiramos da garganta, tiramos do peito nosso grito de BRASIL !!. Mostramos orgulho por sermos brasileiros, vez que sabemos que nosso futebol é o melhor do mundo.A brasilidade  vem-nos à tona naturalmente. O Brasil torna-se o protótipo do país a ser imitado. Nesta seara, não queremos, nem precisamos imitar ninguém.Somos o modelo .Somos primeiro-mundistas.
Bandeiras existem, porque existem diferentes homens, diferentes mentes, diferentes paixões, diferentes entendimentos e pontos de vista.Vivi a infância nos anos-de-chumbo. Anos em que nas escolas éramos marcialmente perfilados para cantarmos o hino da pátria, todavia, sem entendermos o conteúdo do que representava aquela palavra. Só cantávamos.Outras bandeiras apareceram: do meu estado, da minha cidade, do meu bairro, da minha escola, entre outras.A nossa bandeira continuava ali, como uma esfinge que nos pedia incessantemente para ser decifrada, encarceirada que estava pelo apossamento e exclusivo uso autoconferido aos poderes vigentes naquele início dos anos 70. 
Aprendia-se educação moral e cívica.A pátria, apesar de estar apossada, era ensinada a ser respeitada. Cresci e vi que todo aquele conteúdo só continha forma, não despertando na minha e nas gerações que se seguiram nenhuma base  cívica.O conteúdo estava vazio e neste esvaziamento nossa bandeira foi perdendo suas cores, em um processo de desbotamento contínuo nas décadas seguintes.
Vejo o hasteamento de muitas bandeiras no coração dos brasileiros.A bandeira dos clubes de futebol; das escolas; dos partidos políticos; dos sindicatos e suas centrais sindicais; das correntes ideológicas de direita e de esquerda e até de alguns estados mais fortemente providos de sentimentos regionalistas.Em matemática, sabemos que há conjuntos que contém e outros que são contidos.O conjunto das bandeiras dos estados e  dos municípios está contido pelo conjunto maior que é o conjunto nacional.O conjunto que está contido é englobado pelo conjunto maior. Mas,.esta regra não prevalece quando abordamos o civismo. Empolgamo-nos muito mais em levantar a bandeira de um time de futebol em detrimento da nossa bandeira nacional.Orgulhamo-nos de torcer para um clube e  encabulamo-nos em exteriorizar nossa brasilidade. Para alguns - excetuando período de copas do mundo- hastear, por palavras e atos, a bandeira nacional pode parecer, de certo modo, piegas.Porém, quando se olha pela perspectiva dos conjuntos menores - ou contidos- vislumbramos o orgulho da facção futebolísica, da origem federativa, da vinculação partidária ou política e de qualquer indicativo de ascendência étnica muitas vezes estampada nos veículos ou em camisetas. 
Os faccionismos estão e estarão sempre presentes na vida de qualquer pessoa. Isto é a democracia. Haverá sempre uma cidade, um estado, um partido, uma ideologia ou um time de futebol a ser preferido, a ser amado. Entre os meus botões, havia aqueles que representavam minha facção predileta. Quando  os via  reunidos, entendia que meus prediletos não poderiam ficar sem a companhia dos demais.Precisava de todos. Cada um com a sua cor e rostos estampados. No momento em que contemplei onze jogadores posicionados lado a lado, ouvindo o hino nacional durante a copa de 1974 (muitos deles estavam também presente na caixa de sapato em que eu os guardava), ao fixar o olhar naquela cena, compreendi que todo o colorido dos meus botões tomara uma só cor. A cor amarela estampada no peito daqueles homens, por quem hasteávamos a Bandeira Maior em nossas casas e em nosso corações.